🌹AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA EM PONTA GARÇA-AÇORES 1940🌹
Ponta Garça fica na ilha de São Miguel, nos Açores, Portugal. É uma freguesia do concelho de Vila Franca do Campo, na costa sul da ilha. Situa-se a cerca de 15 a 20 km a leste de Ponta Delgada, a capital da ilha, e a poucos quilómetros de Vila Franca do Campo. É uma zona rural e costeira, conhecida pelas suas paisagens verdes, farol e pela ermida de Nossa Senhora de Lourdes, local onde aconteceram as aparições ao menino Virgílio da Ponte Rego em 1940.
A freguesia localiza-se na zona central da costa sul da ilha de São Miguel, com o seu centro a aproximadamente 110 metros acima do nível do mar. É a segunda maior freguesia dos Açores, logo a seguir a Ribeira Seca, na ilha de São Jorge, com 53,18 km², e a maior freguesia dos Açores em área e na extensão do seu povoado, que se desenvolve ao longo de uma estreita e sinuosa rua por mais de 6 km, entre Nossa Senhora da Vida e as Grotas Fundas.
Nesse dia, Nossa Senhora apareceu duas vezes. O Virgílio tinha ido com a cabrinha para a levar a pastar, tirou o rosário e pôs-se a rezar, quando sentiu como uma zoada de vento, olhou para um combro – pequeno montinho de terreno dedicado à agricultura – e viu uma senhora muito bonita. Deitou a fugir para casa com medo, mas não resistiu e voltou lá ao mesmo sítio no mesmo dia, tornando a ver Nossa Senhora. Daí para cá, esteja onde estiver, por volta do meio-dia (não se regulava pelo relógio), sente um desejo interior e vai para o lugar onde Nossa Senhora lhe aparece, ou no mato ou no calhau, larga tudo e abala.
Quando chega aquela hora, Virgílio pergunta a Nossa Senhora qual é o seu nome, ao que a senhora respondeu:
"Ainda não é tempo de eu falar."
Começam aqui as informações pormenorizadas da vizinha, relativas ao mês de julho, a única pessoa que tem escrito e apontado tudo o que Nossa Senhora tem dito pela boca de Virgílio:
5 de julho de 1940: Nossa Senhora disse:
"O povo tem pouca fé."
7 de julho de 1940: Nossa Senhora disse:
"Penitência, penitência, penitência."
8 de julho de 1940: Virgílio pediu um milagre e a senhora replicou:
"Como queres um milagre se o povo não tem fé?"
9 de julho de 1940: Nossa Senhora disse:
"Vou-te fazer um milagre mais tarde."
10 de julho de 1940: Disse Nossa Senhora:
"Rezem, estou cansada de aguentar o braço do meu querido filho."
11 de julho de 1940: O menino Virgílio tornou a insistir na pergunta: "Vós de onde vindes?"
E ouviu em resposta:
"Venho do céu e vou para o céu."
15 de julho de 1940: A senhora disse:
"Eu sou Nossa Senhora de Lourdes" (isto é o que a criança julgou ouvir, porque a senhora fala muito calmamente, que até custa a perceber, comenta e informa a cronista das aparições).
16 de julho de 1840 Ela disse:
"Estou muito ofendida com o povo."
18 de julho de 1940:
A senhora disse:
"Não tardo a obrar um milagre."
19 de julho de 1940: "Peçam perdão a Nosso Senhor."
20 de julho de 1940 Ela pediu:
"Rezem mais."
22 de julho de 1940 insistiu:
"Continuei a rezar o terço à noite."
28 de julho de 1940: Mandou a senhora ao Virgílio que desviasse as silvas do combro, e o pequeno replicou que se ia picar. Nossa Senhora disse-lhe então que não aconteceria nada, e assim foi. Um pouco porque as garrafas trazidas com água pelos circunstantes se iam entornar: as garrafas viraram todas para o mesmo lado, retinindo umas nas outras sem se quebrarem, e só uma se entornou completamente.
11 de agosto de 1940 Ela falou:
"Eu bem sei os doentes que andam pelo mundo."
12 de agosto de 1940:
Nossa Senhora disse:
"O povo daqui não tem fé."
13 de agosto de 1940:
"O povo daqui é que devia ter mais fé."
No domingo mandou a senhora apagar uma vela, na terça-feira outra e na sexta-feira outra. Quando chegar à sétima vela, a senhora há de fazer o milagre.
Já o Virgílio enlaçava o barrete debaixo do braço esquerdo e levava nele deitado um crucifixo de metal branco americano, sem vestígio de arte. E começamos a subir o resto da canada até o local das aparições, entre terras de cultivo com milho verde e o seu combro alto de terra a dividir para o lado do nascente.
Meia hora de caminho, um calor húmido de estufa abafa e sufoca. Apesar disso, estão ao sol perto de 2000 pessoas, algumas para alcançarem o melhor lugar estão ali desde as 6 horas da manhã. Entre a massa colorida do povo, ergue-se uma tabuleta que se lê de longe: "Pede-se por favor ao público de não entrar no círculo", e logo nos dois lados opostos a indicação: "Homens", "Senhoras".
Junto do combro, um retângulo vedado com varas de madeira. Escavaram na terra um arremedo de altar e puseram-lhe uma estampa de Nossa Senhora que faz lembrar uma madona de Rafael; ao lado, vasos e castiçais de metal amarelo. Só o Virgílio entra no recinto, atolhado de garrafas, garrafões e ervas de cheiro trazidas para que ganhem virtude com a presença da senhora.
Todos os olhos se concentram no menino, como o povo lhe chama. Muito pálido, começa a transpirar e uma baga de suor teimosa para-lhe a meio da face. De repente, põe-se de joelhos. Repassa um sussurro na multidão: "Nossa Senhora apareceu!"
O pequeno inclina-se no movimento de lábios de quem beija qualquer coisa, tem o beijo na mão e o crucifixo no braço esquerdo. Ergue os olhos concentrados num só ponto e torna-os a baixar, para tornar a erguê-los novamente e abaixá-los outra vez. Perguntado porque não fixava a vista em Nossa Senhora, respondeu que não podia por ela ter um brilho muito forte. O terço continua.
O Virgílio está agora de pé, com o mesmo movimento de cabeça de quem olha e descansa depois, os olhos, baixando-os. Torna a olhar, torna a pôr-se de pé, um movimento de cabeça, suspende-se e reza. Fica num silêncio de expectativa, às vezes há nele um mexer de lábios de quem fala baixinho e um à-vontade de quem familiarmente está com a mãe. Depois volta a sentar-se. O mesmo sussurro na multidão: "Nossa Senhora foi-se embora."
Completa-se o terço com o oferecimento, depois ergue o menino ao colo para falar ao povo. Hoje Nossa Senhora não disse nada.
Neste dia, à noite, por volta das 11 horas, comecei de ouvir um canto muito ao longe. Ao aproximar-se, distinguia-se cada vez mais a Ave Maria dos Romeiros, com que eles percorrem a ilha durante a Quaresma. Era um grupo de mulheres e homens que voltava, era um grupo de Ponta Garça do terço da noite. E assim todas as noites.
Um amigo do Nordeste que chegara para pedir água conta-nos a romaria em que tomou parte, vinda de tão longe, cantando à luz das estrelas. " Quando chegamos às Furnas dos Açores, era perto da meia-noite e nunca as estrelas brilharam tanto como naquela ocasião". O dono da casa, velho, rijo e falador, informa que está um mundo lá em cima: desde a véspera que começou a chegar gente, e antes do nascer do sol até agora foi um nunca parar. Camionhetas, automóveis, ranchos que vêm a pé, todos os meios de locomoção foram empregados para chegar até ali.
A polícia dirige o movimento dos veículos e tudo corre na melhor ordem, debaixo do comando acertado do subchefe senhor Pedro. Calculam-se em 30.000 pessoas, muitas das quais para o norte se apinham numa massa compacta. Lá em cima reza-se com fervor junto do sítio das aparições, agora enfeitado com suas cortinas brancas em ar de festa, dois crucifixos, seus castiçais de metal, candelabros, chão alcatifado com verdura e uma imensa profusão de flores.
Mestre Manuel Curvelo foi outra vez benemérito: abriu um corredor dividido por cordas com fortes estacas, por onde o menino devia passar. Na passagem estreita entre as duas massas de homens ao sul e de mulheres ao norte, alinhavam-se, choravam comovidas, outras ajoelhavam tremendo e batendo no peito.
Muitos ouviram um rumor forte de vento que não sopra, ou a impressão de um aeroplano ao longe. Muitos mais, fixaram o sol e viram-no: uns a andar de roda, outros como se fora o disco da lua cheia nimbrado de vermelho, outros ainda viram pelo centro listas amarelas, e alguns houve que nada viram. Uma chuva quase imperceptível acabara de cair do céu.
Envoado perante o clamor da multidão, o pequenito voltou o rosto para ver o que era e tornou depois à sua visão. Nem ele, nem o pai, nem a mãe se preocuparam com o sol. Os movimentos sempre os mesmos: abaixava os olhos e levantava-os para os tornar a abaixar.
A pouco e pouco, passada a surpresa do sol, a vaga dos gritos acalmou. Pálido, com uma baga de suor no rosto, o pequeno ergueu no ar o crucifixo e logo todos os braços se erguem, levantando ervas, garrafões e garrafas para que a senhora os abençoasse. Pouco depois, o pequeno voltou-se e disse:
"Mais de rijo, com mais força, mais amor!"
"Ai, filho, que Nossa Senhora não fez milagre nenhum!" Disse a mãe
"O milagre? E a paz?! A guerra acabou!"
Como um relâmpago, a notícia propaga-se na assistência delirante: "Acabou a guerra! Acabou a guerra!" Há gritos, acenar de lenços e de mãos, choros, abraçam o pequeno que chora comovido. O pai inclina-se para ouvir o que ele diz e logo informa:
"Nossa Senhora disse que quer uma ermida aqui."
Entre o delírio da multidão, um polícia ergue o pequeno, que diz adeus ao povo e regressa a casa. Logo começa o assalto às recordações daquela hora: flores enfeitam o sítio, canas, terra, verdura, pedaços de vela, tudo é pedido com uma ansiedade imensa. O aperto aumenta, dificilmente os polícias conseguem manter o embate daquela onda de gente que se renova e não pára.
Depois são as perguntas e a troca de impressões:
"Eu vi o sol deste jeito!"
"Eu vi o sol daquele jeito!"
As versões variam também sobre o que foi que o menino disse:
"A guerra acaba hoje", "A guerra vai acabar", "Nossa Senhora quer a paz no mundo inteiro".
E o rio humano começa a descer e alastra-se pelas estradas. Mais uns passos, lá está o Virgílio de pernas penduradas na janela. Vão parando e entrando, beijam-lhe as mãos e a cara, outros dizem-lhe adeus e seguem.
"Vais amanhã ver Nossa Senhora?"
"Não sei."
Tem um ar despreocupado, como se nada daquilo lhes dissesse respeito.
Virgílio cresceu normalmente, casou-se e faleceu pela idade de uns 70 anos. Esta aparição foi confirmada nas aparições de Jacareí, São Paulo, Brasil; portanto, é verdadeira e autêntica. Vão, visitem e rezem neste local e muitas graças receberão.
(Relato de um jornalista, retirado de um extrato de jornal da época)
OBRIGADA QUERIDA MÃE DO CEU POR MAIS UMA VISTA A PORTUGAL. QUE NÓS CORRESPONDAMOS A TANTA GRAÇA.
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Vídeo no YouTube: https://youtube.com/watch?v=Du3OFfJw2qk