quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SANTOS DE CADA DIA- 2 DE AGOSTO- SENHORA DOS ANJOS, JULIÃO EYMARD

HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA DOS ANJOS




 
A pouca distância da cidade de Assis, Itália, em uma espaçosa planície está situada a igreja de Nossa Senhora dos Anjos.

A primeira ermida, foi construída no ano de 352, por quatro peregrinos vindos de Jerusalém, veneravam ali uma relíquia do túmulo da Santíssima Virgem, dedicada a Maria Assunta ao céu pelos anjos, e daí derivou o título, Santa Maria dos Anjos. Diz a lenda, que nas vésperas de algumas solenidades, desciam de noite numerosos coros de anjos que cantavam aleluias e muitas vozes e faziam grandes festas.

Por essa razão era conhecida desde tempo imemoriável como Santa Maria dos Anjos. Chamava-na também de Porciúncula, porque, conforme a tradição os beneditinos tinham vivido ali antes de se instalar no Monte Subásio, e lhes haviam dado uma pequena porção de terra para o cumprimento de suas obrigações monásticas.

A Basílica de Santa Maria dos Anjos de imponentes dimensões, é a sétima em ordem de grandeza entre as igrejas cristãs.

Em março de 1569 foi colocada a pedra fundamental, pelo bispo de Assis Filippo Geri, da majestosa Basílica de Santa Maria dos Anjos, que por vontade do papa Pio V, abrigaria em seu interior a capela da Porciúncula.


O projeto foi feito pelo arquiteto perugiano Galeazzo Alessi. A construção terminou somente em 1679. Com o terremoto de 1832 ficou totalmente danificada, porém, saíram ilesas a cúpula e a Capelinha da Porciúncula. Foi reconstruída por Luigi Poletti. Em 1930 foi colocada a estátua áurea de Nossa Senhora dos Anjos, obra do escultor Colasanti.

No interno da Basílica há três naves, de uma grande beleza e harmonia, e uma série de capelas laterais. No centro debaixo da cúpula, se encontra a Capela da Porciúncula, decorada externamente com pinturas de Andréa d’Assisi.


No teto um tabernáculo gótico, renovado depois do terremoto de 1832.

A construção de uma grandiosa basílica a Nossa Senhora dos anjos responderia ao desejo de englobar a pequena capela e os outros ambientes onde Francisco viveu, num único ambiente. E ser capaz de conter maior quantidade de peregrinos em visita a Porciúncula, restaurada por São Francisco a primeira capela de Santa Maria dos Anjos que o santo recebeu dos beneditinos de Subásio. Estão ali também o primeiro convento, e a capela do Trânsito, lugar onde São Francisco morreu em 4 de outubro de 1226.

Frei Tomás de Celano, primeiro biógrafo de São Francisco, narra o amor do santo para com aquele local dedicado à Nossa Senhora chamado “Porciúncula”, que quer dizer “Pedacinho”: “O santo teve uma preferência especial por esse lugar, quis que os frades o venerassem de maneira toda particular e que fosse conservado como espelho de toda a sua Ordem na humildade e na extrema pobreza.

A Porciúncula, conserva todo o frescor da primitiva austeridade franciscana. As pedras recordam as mãos frágeis do restaurador Francisco de Assis. Milhões e milhões de pessoas se prostraram aqui para encontrar a paz e o perdão na grande indulgência da Porciúncula. Os peregrinos que chegam à porta da grande Basílica de Santa Maria dos anjos, se sentem atraídos pela pequena igreja, que está bem no coração do santuário.

Foi naquela capela que Francisco recebeu a célebre indulgência do “Dia do Perdão”, celebrado anualmente a 2 de agosto. A festa do Perdão é ainda hoje uma da mais importantes da Ordem Franciscana. Esta indulgência foi estendida à toda Igreja Católica pelo Papa Pio XII.
Diz a história: Uma noite do ano 1216, Francisco estava em profunda contemplação na pequena igrejinha da Porciúncula, quando improvisamente apareceu uma grande luz e Francisco viu sobre o altar Cristo revestido de luz e a sua direita a Mãe Santíssima cercada por uma multidão de anjos. Francisco adorou em silêncio com o rosto por terra o seu Senhor.
- Pede o que deseja para a salvação das almas, disse Jesus.
A resposta de Francisco foi imediata.


- Santíssimo Pai, eu sei que sou um miserável e pecador, te peço para que todos os penitentes que se confessarem e irem visitar esta igreja seja lhes concedido amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todos as culpas.
Aquilo que tu me pedes, Francisco, é grande, lhe disse o Senhor. Porém de coisas maiores tu és digno e as terás. Acolho portanto, o teu pedido, mas quero que tu peças ao meu vigário na terra, de minha parte, esta indulgência

E Francisco se apresentou ao papa Onório II, que se encontrava em Perúgia e com simplicidade lhe contou a visão que tivera. O papa o escutou com atenção e depois de certa hesitação, lhe perguntou: Por quantos anos quer esta indulgência? Santo Padre, não peço anos, mas “almas” respondeu Francisco. E, feliz saiu apressado, mas o papa o chamou de volta e disse: Como, você não quer um documento? Santo Padre, para mim basta a vossa palavra! Se esta indulgência é obra de Deus, ele se encarregará de manifesta-la, eu não preciso de nenhum documento. Este documento deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o tabelião e os anjos as testemunhas.

Uns dias mais tarde, junto com os bispos da Úmbria, disse chorando ao povo reunido na Porciúncula: “Irmãos meus, quero mandar-vos todos para o Paraíso”!

No Brasil existem muitas paróquias e templos dedicadas a Nossa Senhora dos Anjos.

São Pedro Julião Eymard




Nasceu em Esère, França, em 4 de fevereiro de 1811, filho do segundo casamento de um comerciante viúvo. Pedro Julião marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. São Pedro Julião Eymard pertencia a uma família tão religiosa que a própria mãe o levava diariamente na Igreja para receber a benção do Santíssimo. Certa vez o menino de cinco anos desapareceu de casa e quando o procuraram na igreja encontraram Pedro diante do sacrário com esta resposta lábios: "Estou falando com Jesus".

Foi à luz do Cristo Eucarístico que Pedro Julião descobriu sua vocação ao sacerdócio, a qual concretizou-se depois vencer as oposições do pai, tornando-se assim um padre secular e mais tarde religioso na Congregação dos Maristas. Como sacerdote secular foi zelosíssimo, a ponto de ser comparado ao Cura d'Ars. Passou, a seguir, 17 anos como religioso na Sociedade de Maria, chegando a ocupar cargos dos mais altos nessa família religiosa.

Padre Eymard já notava que havia um certo distanciamento do povo da Igreja. Algo precisava ser feito. Rezou muito, pediu conselhos aos superiores e para o próprio papa Pio IX. Entretanto, percebeu que por meio do Instituto dos Maristas não poderia executar o que era preciso. Deixou o Instituto e foi para Paris. Lá, em 1856, com a ajuda do arcebispo de Paris, fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento. E, depois de três anos, a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Mais tarde, também fundou uma Ordem Terceira, em que leigos comprometem-se na adoração do Santíssimo Sacramento.

São Pedro Eymard percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado por Nossa Senhora concluiu: "É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real em nosso meio". Viajando toda a França, deixando vários escritos, abrangendo sacerdotes, religiosas e leigos na sua obra em honra ao Santíssimo Sacramento, São Pedro Julião tudo conseguiu por causa do auxílio da graça e têmpera diante dos inúmeros sofrimentos.

Durante estes anos de vida eucarística, vemos o Pe. Eymard empenhado em um apostolado que se dirige sobretudo aos pobres da periferia de Paris e aos sacerdotes em dificuldade; dedica-se à Obra da primeira comunhão de adultos e atende numerosos compromissos na pregação, centrada principalmente na Eucaristia.

Seus últimos anos de vida foram repletos de sofrimentos, ocasionados estes em boa parte por seus próprios religiosos que já não tinham confiança em seu Santo Fundador. Disse ele nessa penosa conjuntura: "Eis-me aqui, Senhor, no Jardim das Oliveiras; humilhai-me, despojai-me; dai-me a cruz, contanto que me deis também o vosso amor e a vossa graça".

A vida e a atividade de São Pedro Julião está centrada no mistério da sagrada Eucaristia. Ao princípio, entretanto, seu enfoque era tributário da teologia de seu tempo, insistindo sobre a presença real. Mas, chegará a livrar-se pouco a pouco do aspecto devocional e reparador que tingia de maneira quase exclusiva a piedade eucarística de sua época, e conseguirá fazer da Eucaristia o centro da vida da Igreja e da sociedade. «Nenhum outro centro se não de Jesus Eucarístico».

Ele foi um dos santos mais Eucaristicos da história da Igreja. Toda a sua espiritualidade e mística estavam centradas na Eucaristia. São Pedro Julião Eymard pôde com seus lábios e vida proclamar "para mim, viver é Cristo, e Cristo Sacramentado".

São Pedro Julião Eymard faleceu no dia 1º de agosto de 1868, aos 57 anos de idade.

PENSAMENTOS DE SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD

"Dai-me a alegria de celebrar ao menos uma missa. Apenas uma e, depois, morrer!"

"Deus me chama hoje, amanhã seria muito tarde!"

"A Eucaristia é a suprema manifestação do amor de Jesus; depois dele nada há mais, senão o céu"

"Quando penetrou numa alma uma centelha eucarística, lançou-se no coração um germe divino de vida e de todas as virtudes, e que vale por assim dizer, por si mesmo".

"Prometi a Deus que nada me deteria, devesse eu embora comer pedras e acabar no hospital. E principalmente, pedi a Deus (e talvez fosse isto presunção de minha parte) trabalhar sem o menor conforto humano"

"Nós cremos no amor que Deus nos tem. Crer no amor é tudo aqui; não basta crer na verdade, é preciso crer no amor"

"A melhor preparação para a santa Comunhão é a que se faz em Maria"

"Salvar a minha alma é negócio pessoal. Não posso descansar em ninguém, nem com ninguém repartir o trabalho"

"Dar a uma pessoa a fé, a devoção para com Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, equivale a dar-lhe o segredo e a chave da graça e de todas as demais virtudes"

"Uma boa hora de adoração diante do Santíssimo Sacramento produz maior bem do que todas as igrejas de mármore que possamos visitar ou todos os túmulos que possamos venerar"

"A sagrada Eucaristia é Jesus passado, presente e futuro... É Jesus feito sacramento. Bem-aventurada a alma que sabe encontrar Jesus na Eucaristia, e em Jesus Hóstia tudo"

"A Santa comunhão deve ser o fim de toda vida cristã: todo exercício que não se relaciona com a comunhão está fora de sua melhor finalidade"

"Convencido de que o sacrifício da Santa Missa e a comunhão ao corpo do Senhor são a fonte viva e o ápice de toda a religião, cada um tem o dever de orientar sua piedade, suas virtudes e seu amor de tal modo que se tornem meios que lhe permitam alcançar esse fim: a digna celebração e a recepção frutuosa destes divinos mistérios"

"Quem quiser perseverar que receba a nosso Senhor. É um pão que alimentará seus pobres, força, que o sustentará. E é a Igreja que o quer assim"

"Eu lhes digo que este alimento tomado com intervalos tão prolongados não é mais que um alimento extraordinário, mas onde está o alimento ordinário que deve me sustentar diariamente?"

"Quem não comunga não tem mais que uma ciência especulativa; não conhece nada a não ser palavras, teorias, das quais desconhece o sentido... A alma que comunga não tem primeiro uma idéia de Deus, mas agora o vê, reconhece-o na sagrada mesa"

"A fim de que a alma devota se fortaleça e cresça na vida de Jesus Cristo, tem necessidade de nutrir-se em primeiro lugar de sua verdade divina e da bondade de seu amor de tal modo que possa passar da luz ao amor, e do amor às virtudes"

"A Eucaristia é a vida dos povos. A Eucaristia lhes oferece um centro de vida. Todos podem encontrar-se sem barreira de raça nem de língua para a celebração das festas da Igreja"

"Quão feliz, mil vezes feliz, a alma fiel que encontrou este tesouro escondido, que vai beber neste manancial vivo, que come com freqüência este Pão de vida eterna!"

"O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação... Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã... Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!"

Santo Eusébio de Vercelli – 02/08

 


CONTEXTO HISTÓRICO

No tempo de Santo Eusébio, do ano 283 ao 371, a Igreja viveu momentos de grande paixão religiosa, de um lado, enquanto de outro enfrentou fortes heresias. Uma dessas correntes de pensamento é conhecida por Arianismo. Arius foi um padre de Alexandria, que questionou um ponto central do mistério cristão: a Santíssima Trindade. Para ele o Pai é o único Ser não-gerado e que estava ficando esquecido. Falava-se do Filho, mas não se falava de Deus. Disse Arius, sobre o Filho: “Ele não era antes de ser gerado. Houve um tempo em que ele não existia”. Mais tarde ele procurou amenizar seu ponto de vista, dizendo que o Verbo “foi criado antes de todos os tempos, antes de todos os séculos”.

O Arianismo negou a existência em Cristo da unidade essencial de suas duas naturezas: a divina e a humana. Para o Arianismo Cristo é antes um homem do que uma “pessoa divina”. O Concílio de Nicéia, no ano 325, condenou esta doutrina após uma grande controvérsia e declarou-a herética. Arius desapareceu, mas suas idéias marcaram a Igreja no tempo em que viveu Santo Eusébio, e posteriormente . Hoje ainda temos resquícios do Arianismo.


O SANTO


Eusébio nasceu na ilha da Sardenha, no ano 283. Depois da morte do seu pai, martirizado durante a perseguição do imperador Diocleciano, sua mãe o levou para completar os estudos em Roma. Eusébio não era seu nome de nascimento: recebeu-o, após sua conversão, pelo papa Eusébio, que o batizou em Roma. Eusébio se mirou no exemplo dos escravos que assumiam o nome de seus patrões, como gesto de agradecimento por sua libertação. Eusébio adotou esse nome como gratidão ao Papa Eusébio, a quem considerava seu libertador. Aos poucos, foi ganhando a admiração do povo cristão e do papa Júlio I, que o consagrou bispo da diocese de Vercelli, em 345.

Participou do Concílio de Milão, em 355. Os adeptos da doutrina ariana tentaram forçá-lo a votar pela condenação do bispo de Alexandria, santo Atanásio, que se opunha às idéias defendidas por Arius. Eusébio, além de discordar do arianismo, considerou a votação uma covardia, pois Atanásio estava ausente e não podia defender-se. Como ficou contra a condenação, ele e outros bispos foram condenados pelo imperador Constâncio ao exílio na Palestina. Na prisão, sofreu ainda vários castigos físicos. foi mandado para a Capadócia, na Turquia e, de lá, para o deserto de Tebaida, no Egito, onde permaneceu até que Juliano, o Apóstata, deu liberdade a todos os bispos presos e permitiu que retomassem suas dioceses.

O exílio durou 6 anos. Voltando, Eusébio foi o primeiro a participar do Concílio de Alexandria, organizado pelo amigo, santo Atanásio. Só então passou a evangelizar, dirigindo-se primeiro a Antioquia e depois à Ilíria, onde o arianismo continuava influente. Batalhou muito combatendo todos eles. Mais tarde, foi para a Itália, sendo recepcionado com verdadeira aclamação popular. Em seguida, na companhia de santo Hilário, bispo de Poitiers, trabalhou pela unificação da Igreja católica na Gália, atual França. Somente quando os objetivos estavam para serem alcançados é que ele voltou à sua diocese em Vercelli, onde faleceu no dia 1o. de agosto de 371.

Apesar de ser considerado mártir pela Igreja, Santo Eusébio de Vercelli não morreu martirizado. Mas foram tantos os seus sofrimentos no trabalho de difusão e defesa do cristianismo, passando por exílios e torturas, que recebeu esse título da Igreja, cujo mérito jamais foi contestado. Com a reforma do calendário litúrgico de Roma, de 1969, sua festa foi marcada para o dia 2 de agosto. Nesta data, as suas relíquias são veneradas na catedral de Vercelli, onde foram sepultadas e permanecem até os nossos dias 

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