quarta-feira, 26 de julho de 2017

SANTOS DE CADA DIA 27 DE JULHO

 Beata Maria Madalena Martinengo, Abadessa Capuchinha - Festa 27 de julho 

 

     A nossa Beata nasceu em 1687, dos Condes de Barco, em Brescia, na Lombardia. Nasceu muito fraca, tanto que imediatamente a batizaram. A mãe morreu cinco meses mais tarde. Passado pouco tempo, o pai casou-se de novo.
     Aos cinco anos andava ela bem vestida, chamava as atenções e com isso envaidecia-se, mas não gostava de brincar e apreciava o estudo. Aos sete anos já lia o breviário romano, em latim com certeza. Tornara-se piedosa; aparecia com o oficio de Nossa Senhora ou o terço na mão.
     Aos dez anos entrou como interna na casa das ursulinas de Santa Maria dos Anjos. “Deixei de boa vontade a casa paterna, escreveu ela nas suas notas autobiográficas, para me dar toda a Deus no santo claustro”. Ao receber a primeira comunhão, a hóstia caiu no chão, entre ela e a grade; apanhou-a logo, mas pareceu-lhe que o Senhor não queria vir ao seu coração.
     Começou bem cedo a oferecer grandes penitências: orações prolongadas de noite, no maior frio; enxergão com pedaços de madeira, pedras e espinhos; caminhar descalça sobre cascalho e urtigas, até deitar sangue.
     Impressionava-se com as imundices que às vezes via no mosteiro; para se vencer, tudo isso beijava. Pedia às companheiras que lhe batessem muito, pois o merecia. Nessa altura, não julgava a obediência necessária, em matéria de penitência; e sendo pequena a vigilância sobre ela, seguia a inclinação, julgando fazer bem. O crucifixo servia-lhe de modelo, animador e juiz. “Tudo o que ouvia ler na Vida dos santos, propunha-me copiá-lo na minha”. Mais tarde, para reproduzir um ponto da paixão dos santos Crispim e Crispiniano, espetou agulhas entre a carne e as unhas das mãos e dos pés, e conservou estas vinte torturas, durante três horas.
     Passados dois anos, foi para o convento do Espírito Santo, onde lhe começaram a chamar Santinha (Santarella). Ao cabo de três anos de internato, voltou à casa da família. Os irmãos procuraram-lhe romances e foi obrigada a vestir-se com elegância. Pensava-se em lhe encontrar noivo, mas ela queria conservar-se virgem por amor de Deus, e o pai teve de capitular diante de tal firmeza.
     Viu um dia Santa Teresa e Santa Clara discutirem, diante de Nossa Senhora, a respeito da sua vocação. Mas o cinzento de Santa Clara venceu o branco de Santa Teresa: a nossa donzela tomaria o duro hábito das pobres Clarissas. Fez experiências nos fins de 1704 e princípios de 1705; mas era austeridade demasiada. Finalmente, a 8 de setembro de 1705, tomou em Brescia o hábito das capuchinhas, ficando a chamar-se Irmã Madalena.
     A saúde mantinha-se fraca, dormia mal: “Levantava-me mais cansada do que me deitava na véspera”. Caiu gravemente doente, mas curou-se. Os seus escrúpulos de consciência persistiam. Por fim, viu Nosso Senhor, em vestes pontifícias, que lhe dizia: “Absolvo-te completamente de todos os teus pecados”. Fez um tríplice voto: de procurar o mais perfeito, o mais custoso e o mais intensamente “capuchinho”. Esta contemplativa não desestimava, por outro lado, rezar cem Ave-Marias com genuflexões, todos os sábados. E mais rezava nas grandes circunstâncias.
     Não compreendia que se temesse a morte. No caso de vir a falecer dentro de poucas horas, dizia ela: “Pôr-me-ia como criança nos braços do meu Deus e absolutamente nada temeria”. Gostava de meditar sobre a sua padroeira Madalena, que, segundo a liturgia romana, confundia com a pecadora perdoada, de S. Lucas (cap. 7). ...
     A sua piedade tomava-se cada vez mais profunda. Soma ao ver um padre celebrar o santo sacrifício apressadamente, atrapalhando as palavras. O Senhor disse-lhe um dia: “Esquece-te, como se realmente não existisses”.
     Era terrivelmente engenhosa para encontrar sofrimentos; mas, desde que religiosa, não prescindia da licença. De noite rezava, por horas a fio, com os braços estendidos. ... O que é certo é que ela soma cruelmente com estas torturas inventadas, como testemunho de amor a Cristo crucificado.
     Mas o grande empenho era a obediência, a morte da vontade própria. Dizia que a profissão a decapitara; tinha entrado no mosteiro com a cabeça nas mãos, como se representa São Dinis. Gostava de obedecer a todas, de se fazer menina (bambina).
     Quem escolhera ser a humilde serva das suas Irmãs foi nomeada três vezes mestra das noviças, abadessa em 1732 e de novo em 1736, embora estivesse doente. Exerceu também o cargo de porteira e de vigária. Embora dissesse “O nada não faz nada”, era julgada utilizável! Servia de proteção ao mosteiro; se era anunciada a peste para breve, vinha-lhe uma dor tremenda de dentes, e a peste afastava-se.
     Às noviças mandava ler e reler a Regra, as Constituições, o Legendário franciscano e os Anais dos irmãos menores capuchinhos. Pedia a união de todos os corações, para amarem a Deus: “Amá-lo com um só coração é pouquíssimo, é pouquíssimo!”
     Para 15 de fevereiro (santos Faustino e Jovita, patronos de Brescia), os “filósofos” do local quiseram inaugurar um cassino. Durante a manifestação, o animador da ímpia iniciativa caiu moribundo; converteu-se, porém, antes de expirar. Entretanto, a Irmã Maria Madalena orava. De repente parou, com uma alegria radiosa, dizendo: “A graça está concedida!”. A graça era a festa sacrílega interrompida e o filósofo reconduzido a Deus.
     Gostava do “silêncio alegre, afável, bom; das palavras humildes, doces e santas”. Antes de falar era preciso, segundo ela, fazer a pergunta se as palavras se podiam escrever, a seguir à letra N do dicionário: “necessidade”.
     Já doente, foi reeleita abadessa, e 15 dias mais tarde faleceu, a 27 de julho de 1736, aos quarenta e nove anos, e trinta e dois de vida religiosa. Em 1738 apareceu uma dissertação dum médico que lhe tinha examinado o cadáver. É admirável, escrevia ele, que as agulhas no corpo não tenham dado nem inflamação, nem úlceras nem gangrena.
     Maria Madalena Martinengo foi beatificada por Leão XIII, a 3 de junho de 1900.
Fonte: Pe. José Leite, S.J., Santos de cada dia

Santa Natália e comp., mártires de Córdoba - 27 de julho


     

      Em 711, um exército muçulmano vindo do Norte da África conquistou a Ibéria visigótica cristã. Sob o seu líder, Tárique (Tariq ibn Ziyad), eles desembarcaram em Gibraltar e colocaram a maior parte da Península Ibérica sob o jugo do Islã numa campanha que durou oito anos. A região foi rebatizada de Al-Andalus pelos novos líderes. Quando os califas omiadas foram depostos pelos abássidas em Damasco em 750 d.C., os sobreviventes da dinastia se mudaram para Córdoba e ali passaram a governar um emirado, tornando a cidade um centro da cultura islâmica ibérica.

     Uma vez conquistada a Ibéria, a sharia (lei islâmica) foi imposta em todo o território. Os cristãos e os judeus eram chamados de dhimmis ("povos do livro") e estavam sujeitos à jizyah, um imposto pago por pessoa, que os permitia viver sob o regime islâmico. Sob a sharia, a blasfêmia contra o Islã, seja por muçulmanos ou dhimmis, e a apostasia eram motivos suficientes para a pena de morte.
     Apesar de quatro basílicas cristãs e diversos mosteiros - mencionados no Martirológio de Eulógio - terem permanecido abertos, os moçárabes (cristãos em território muçulmano) foram gradualmente aderindo ao Islamismo, num processo estimulado pela taxação e pela discriminação legal imposta aos cristãos (como as leis regulando os filhos de casamentos entre cristãos e muçulmanos).
     De forma incomum, Recafredo, bispo de Córdobra, ensinava as virtudes da tolerância e da acomodação com as autoridades muçulmanas, que não ajudou a estancar as conversões. Para espanto de Eulógio, cujos textos são a única fonte para os martírios e que passou a ser venerado como santo ainda no século IX, o bispo ficou do lado das autoridades muçulmanas contra os martírios, que ele entendia serem obra de fanáticos. O fechamento dos mosteiros começou a aparecer nos registros a partir da metade deste mesmo século.
     Santo Eulógio encorajava os mártires como forma de reforçar a fé da comunidade cristã, como nos tempos das perseguições aos cristãos sob o Império Romano. Ele compôs tratados e um martirológio para justificar a autoimolação dos mártires, dos quais um único manuscrito contendo sua Documentum martyriale, os três livros de sua Memoriale sanctorum e sua Liber apologeticus martyrum, foi preservado em Oviedo, no reino cristão das Astúrias, no extremo noroeste da Ibéria.
     Santo Eulógio foi enterrado na Catedral de San Salvador, em Oviedo, para onde as suas relíquias foram transladadas em 884 d.C.
As execuções
     Os quarenta e oito cristãos (a maioria monges) foram martirizados em Córdoba na década de 860 por decapitação por ofensas religiosas contra o Islã.
     A Acta detalhada destes martírios foi atribuída ao habilmente chamado "Eulogius" ("benção"), que foi um dos últimos a morrer. Embora a maior parte dos mártires de Córdoba terem sido hispânicos, beto-romanos ou visigodos, houve um árabe, um sírio, um monge grego e dois outros cujos nomes eram gregos.
Santa Natália e seus companheiros
     Santa Natália de Córdoba nasceu nesta cidade por volta do ano 825 d.C., em plena dominação muçulmana. Reinava então o emir Abderramán II, que acreditando que com isto amansaria o caráter indomável dos cristãos, desencadeou contra eles uma perseguição que enfrentou ainda maiores problemas.
     Natália nascera de pais maometanos. Mas após a norte do pai, sendo ainda bem pequenina, sua mãe se casou em segundas núpcias com um cristão, que a converteu. Natália, portanto, foi educada nos preceitos cristãos e casou-se com Aurélio, também cristão, mas na clandestinidade, para evitar as perseguições.
     Certo dia, Aurélio presenciou um espetáculo humilhante em que João, um cristão, amarrado a um jumento com o rosto voltado para a cauda do animal, era conduzido ao lugar da execução sob a gritaria dos infiéis. A partir daquele momento, os esposos resolveram ser mais corajosos e praticar sua religião em público para animar aos demais cristãos, evitando que eles aderissem à religião oficial naquele momento e lugar.
     Juntaram-se a eles o casal Felix e Liliana. Pressentindo que chegava a sua hora, o casal distribuiu os seus bens aos pobres e necessitados. Félix e Liliana fizeram o mesmo.
     Natalia, Aurélio, Felix e Liliana eram ibéricos cuja ascendência, ainda que religiosamente mesclada, legalmente requeria que eles professassem o islamismo. Após terem recebido quatro dias de prazo para se retratarem, eles foram condenados como apóstatas por revelarem que eram cristãos em segredo.
     O diácono Jorge era um monge da Palestina que foi preso juntamente com os dois casais. Mesmo tendo recebido o perdão por ser estrangeiro, ele escolheu denunciar o Islã para poder morrer com eles.
     Após juiz e verdugo tentarem de todos os meios que eles renegassem sua Fé, nem as promessas nem as torturas os demoveram; finalmente foram degolados em 27 de julho de 852.
     Seus corpos foram sepultados e venerados pelos cristãos; mas, por estarem pouco seguros em Córdoba, Carlos o Calvo seis anos mais tarde providenciou o traslado do corpo de Santo Aurélio e a cabeça de Santa Natália para Saint-Germain (Paris).
Etimologia: Natália, do latim Natalis, derivado de nascor, nascere, natus, que significa “nascer”. Derivado de Natal: “nascida do Natal de Jesus”. 

São Pantaleão

O santo de hoje viveu no séc. III e IV da era cristã, durante um período de intensa perseguição aos cristãos que não podiam professar a própria fé, pois o que predominava naquela época era o culto aos deuses pagãos.
Pantaleão era filho de Eustóquio, gentio e de Êubola, cristã. Sua mãe encaminhou-o na fé cristã. Após o falecimento de sua mãe, Pantaleão foi aplicado pelo pai aos estudos de retórica, filosofia e medicina.
Durante a perseguição, travou amizade com um sacerdote, exemplo de virtude, Hermolau, que o persuadiu de Nosso Senhor Jesus Cristo ser o autor da vida e o senhor da verdadeira saúde.
Um dia que se viu diante de uma criança morta por uma víbora, disse para consigo: “Agora verei se é verdade o que Hermolau me diz”. E, segundo isto, diz ao menino: “Em nome de Jesus Cristo, levanta-te; e tu, animal peçonhento, sofre o mal que fizeste”. Levantou-se a criança e a víbora ficou morta; em vista disso, Pantaleão converteu-se e recebeu logo o santo batismo.
Acabou sendo convocado pelo imperador Maximiano como seu médico pessoal. As milagrosas curas que em nome de Jesus Cristo realizava, suscitaram a inveja de outros médicos, que o acusaram de cristão perante o imperador que, por sua vez, o mandou ser amarrado a uma árvore e degolado.
Desta forma, assumindo a coroa do martírio, São Pantaleão passou desta vida para a vida eterna.
São Pantaleão, rogai por nós!

 

27/07 – São Clemente de Ochrida



Mas é também conhecido como “o Búlgaro”, e todos os títulos são apropriados, porque durante sua vida religiosa conviveu muito tempo com esse povo, deixando marcas profundas de sua presença na Bulgária. A sua origem, seu nascimento e juventude são desconhecidos. No século IX, o príncipe da Moravia solicitou ao imperador de Constantinopla que lhe enviasse evangelizadores de origem germânica. Tinha a intenção de ampliar a catequização da população, mas não queria os missionários “latinos” que eram diferentes dos “germânicos” nos rituais litúrgicos. Isso era possível, porque a Igreja ainda não tinha um padrão para todos os rituais católicos. Seguiram para lá os irmãos Cirilo e Metódio, ambos germânicos, no futuro conhecidos como os “apóstolos do Oriente”. Os dois irmãos levaram alguns colaboradores, um deles era Clemente. Como era muito culto e aplicado se tornou o colaborador direto de Metódio, na adaptação da liturgia do Oriente para as populações daquela região. Clemente fez inúmeras viagens com os dois apóstolos por todo o leste europeu, sendo um discípulo fiel na pregação do Cristianismo. A evangelização do leste europeu era marcada pela rivalidade gerada com divisão entre evangelizadores “latinos” e “germânicos”. Tanto assim, que o próprio Clemente precisou se afastar de uma cidade, porque um Bispo não aceitava os “ritos germânicos”. Por isto, Clemente decidiu seguir para a Bulgária, onde além de refúgio encontrou um novo campo de ação. Lá, trabalhou na simplificação do novo alfabeto para facilitar os estudos. Também, converteu a fé cristã o próprio rei, que deixou o trono e se retirou em um mosteiro. Os outros dois reis sucessores encorajam a obra missionária, e Clemente foi nomeado “primeiro bispo de língua búlgara” para comandar a principal diocese. Porém, Clemente tinha sempre o pensamento voltado para a querida cidade de Ochrida, onde havia construído uma escola que também era um mosteiro. Era lá que pretendia se recolher na velhice. Mas não conseguiu, porque antes deveria pessoalmente escolher, instruir e formar o Bispo substituto. No dia 27 de julho de 916 ele faleceu na cidade de Velika. Seu corpo foi sepultado no mosteiro de Ochrida, onde seu túmulo passou a ser visitado e venerado pela população. Em alguns lugares, por tradição popular, costuma ser lembrado no dia 25 de novembro. A Igreja Católica o proclamou Santo e escolheu o dia de sua morte, 27 de julho, para as homenagens litúrgicas.

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